a se colocar em primeiro lugar não é egoismo. Para
qualquer escolha se segue alguma consequência,
vontades efêmeras não valem a pena, quem faz uma vez,
não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com
certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase
impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem
gosta cuida, o que está no passado tem motivos para
não fazer parte do seu presente, não é preciso perder
pra aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam
nos dedos. Aos poucos você percebe o que vale a pena,
o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca
deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a
verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo
sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados
nem sempre são imediatos. Toda mulher é doida.
Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo
interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a
vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar o nosso
poder de sedução para encontrar the big one, aquele
que será inteligente, másculo, se importará com nossos
sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma
tarefa que dá prá ocupar uma vida, não é mesmo? Mas
além disso, temos que ser independentes, bonitas, ter
filhos e fingir de vez em quando que somos santas,
ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca,
pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num
navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então
virar loura e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia
secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma
que você conhece e me diga se ela não tem ao menos
três dessas qualificações: exagerada, dramática,
verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada,
delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a
todos. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade
de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se
recusam a levantar da cadeira para ver quem está
chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe.
Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos
prazeres da inquietude, que não deseje mais nada?
Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.”
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